sábado, 11 de abril de 2009

Meu primeiro post

Demorou, mas enfim, chegou o momento de me manisfestar neste tão famoso e visitado blog.
Esta nossa jornada tem sido repleta de muitas descobertas, especialmente sobre nós mesmos.
No meu caso, uma das mais importantes foi sobre uma anomalia que tenho em um dos meus dedos… tive que vir até a Nova Zelândia pra descobrir que tenho uma dobra a mais no dedo anelar (o vizinho do mindinho) da mão esquerda. Urrrgh…

sexta-feira, 10 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Rapidinhas sobre o cotidiano kiwi – parte II

1) Digamos que os kiwis não são exatamente excelentes motoristas. Por aqui é bem comum ver carros atravessando na frente de outros e fazendo barbeirgens o tempo todo, e o mais interessante é que eles não se estressam com isso. Se fosse em São Paulo rolava logo um buzinasso e uns xingos. Também não é raro ver carros estacionados a quase um metro da guia, ou com uma roda em cima dela, aliás, isso é bem frequente. Baliza correta é luxo por aqui, chega a ser engraçado. E quem pensa que por aqui não tem trânsito, está enganado. Nos horários de pico (entre 8 e 9 da manhã e 5 e 6 da tarde) as filas de carros ficam bem grandinhas nas principais avenidas, ainda mais próximo às típicas faixas de pedestres onde os carros devem parar quando alguém ameaça atravessar.

2) Quem pretende andar de carro pra lá e pra cá em Wellington, especialmente durante o horário comercial, prepare-se para pagar horrores para estacionar. As ruas são dominadas por parkimetros a 4 dólares por hora ou “coupon zones”, um tipo de zona azul. Existem também as áreas reservadas para residentes, já que a maioria das casas não tem garagem, nesse caso é preciso ter um adesivo indicando que você mora naquela região. Algumas áreas são livres para estacionar, mas com tempo máximo de permanência, que varia de 5 a 120 minutos (e a multa se você ficar por mais tempo pode ser salgadinha). É possível encontrar estacionamentos que cobram 10 dólares para o dia todo, mas se for pagar por hora, não fica por menos de 3,50 cada (eles cobram 50 cents menos que os parkímetros, bela jogada de marketing, não, rs).

3) E pra fechar o tema automóveis, definitivamente poucos kiwis vêem carro como sinal de status, como no Brasil. É claro que existem muitos carros zerados ou de cair o queixo pela rua, mas a grande maioria acaba optando pelos usados baratos e, pra grande maioria, a funilaria não conta muito. Carro arranhado, amassado, com a pintura zuada ou simplesmente com partes sem pintura são os mais vistos por aqui. Até porque não é nada barato fazer o chamado “body work”. A maioria, aliás, sequer lava o “poizé”. Teias de aranha dominam os retrovisores. Lava rápido, só aqueles de posto de gasolina, do tipo escovão automático, que por sinal são bem carinhos e não limpam nada direito. São raros os motoristas cuidadosos que passam a manhã de sábado lavando o carro.

4) O serviço público de transporte de Wellington é muito bom. Existem ônibus ou trens para todos os lados da cidade, todos eles com horários muito bem definidos, dificilmente atrasam. Porém, paga-se um preço um tanto quanto alto por isso. A cidade é dividida em zonas e a passagem é cobrada de acordo com a distância. Com isso, para ir de um bairro a outro, às vezes muito perto, acaba-se pagando no mínimo 3 dólares. Pra andar dentro de uma zona, o valor mínimo é $1,50, e pode chegar a $8 pra quem viaja por 7 zonas. Existem algumas possibilidades de economia, como o bilhete “day tripper”, que dá direito a pegar quantos ônibus quiser dentro de um dia (válido após as 9am), ou os cartões tipo “bilhete único”, que você carrega e ganha desconto de cerca de 25% no valor de cada passagem. Mais infos no site da Metlink.

5) O horário comercial aqui na NZ é das 9am às 5pm, portanto, a maioria das pessoas trabalha neste horário (o que já é uma jornada reduzida comparada à das 8am às 6pm do Brasil). Mas também é muito comum por aqui trabalhar em horários alternativos, especialmente no setor de hospitalidade e turismo. Com isso, é possível ver as praias ou os parques lotados de gente se exercitando ou relaxando em plenas 3 da tarde. Ah, também é bem conhecida por aqui a famosa “marmita”. Acho que a maioria das empresas não paga almoço, então não é raro ver a galera almoçando, com seu “tupperware” ao ar livre, nos parques ou perto da praia.

6) É possível encontrar banheiros públicos por toda a parte, seja no centro da cidade, perto das praias, ou nos parques. Claro que por serem públicos e ficarem abertos 24h, estão sujeitos ao vandalismo de alguns “joselitos”, mas a maioria que encontro por aqui é até que bem cuidadinho e, o melhor, as mulheres (ou pessoas em caso de emergência, rs) não precisam passar aperto porque sempre tem papel higiênico!

7) Tenho três observações sobre os comerciais de TV da NZ. A primeira delas é que a maioria das propagandas são muito bem elaboradas e produzidas, algumas devem ter um budget absurdo diante dos recursos utilizados. Por outro lado, imagino que não seja muito caro inserir um anúncio na TV, pois algumas propagandas são bem amadoras e precárias, tenho a impressão de que qualquer “2 dólar Shop” (as famosas lojinhas de R$1,99) ou o Zé do açougue podem anunciar. Mas o que mais me impressiona são as chocantes propagandas contra alcoolismo, bebida e direção e outros assuntos do tipo. Algumas chegam a ser de arrepiar, eles não são nenhum pouco polidos ao falar de morte ou tragédias em família, por exemplo. É um tanto radical, mas não deixam de ser bem instrutivas.

8) Uma das coisas que mais gosto em Wellington (e acho que é assim em toda a NZ) é o grande número de parques e reservas naturais espalhadas por toda parte. Nada como poder ter momentos relax no meio da natureza, ou até mesmo curtir o visual e o verde durante uma caminhada de meia hora para o trabalho.

9) Para quem gosta de passeios culturais, a NZ também é um prato cheio. Museus (entre eles o maior da NZ, Te Papa), exposições, trilhas históricas... aqui é possível apreciar tudo isso, e o melhor, FREE! A maioria das exposições é gratuita, alguns lugares possuem uma caixinha para doações espontâneas. Algumas vezes existem esposições específicas pagas, como a do Monet que está no Te Papa a $15 por cabeça, ou você pode ainda optar por uma visita guiada por alguns dólares, mas o resto do museu é aberto ao público gratuitamente. Ou seja, falta de dinheiro não é desculpa pra falta de cultura.

10) A Nova Zelãndia é um país de população relativamente jovem, porém existem muitos idosos por aqui também. O curioso é o número de “rest homes”, ou casas de repouso, destinadas a eles. Estão por toda parte, públicas ou privadas (a maioria). Só no Te Hopai Home em Hospital, onde trabalho, são cerca de 100 velhinhos residentes. Há também os serviços de caregiver doméstico, onde as pessoas vão até a casa dos idosos para ajudá-los com a arrumação, comida, banhos ou até mesmo fazer companhia em atividades recreativas. Existem muitas empresas por aqui especializadas nisso, uma delas é a Home Instead, onde o Shurato trabalha.

domingo, 5 de abril de 2009

Fim do horário de verão na NZ

Neste domingo, 5 de abril, chegou ao fim o "horário de verão", que é chamado de Daylight Savings aqui na Nova Zelândia. Os relógios foram atrasados em uma hora e, com isso, a diferença de fuso horário entre NZ e Brasil volta a ser de 15 horas.

Isso significa que o outono já chegou e o inverno está cada vez mais próximo... os dias de sol até as 9h da noite ficaram pra trás, agora já está escurecendo antes das 7h. Medo do que vamos ter que encarar daqui alguns meses!

Curiosidade - Aqui o daylight savings dura mais tempo, de setembro a abril, como diz a notícia no site da TVNZ.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Nova Zelândia e a crise econômica

Muita gente tem me perguntado sobre o impacto da crise econômica na Nova Zelândia. Gente que achou meu blog na internet ou amigos de amigos que querem vir para cá e não sabem bem o que vão encontrar. Pra falar a verdade, até cerca de um mês atrás eu não tinha ouvido muito sobre o assunto por aqui. Tinha visto algumas reportagens na TV, mas meu inglês ainda não é bom o suficiente pra entender todos os detalhes.

Acontece que de uns tempos pra cá o assunto ficou mais frequente e parece que o bicho começou a pegar por aqui, então fui atrás de algumas notícias na internet pra poder ficar por dentro e informar melhor meus curiosos leitores.

O fato é que a crise está feia no mundo inteiro e a Nova Zelândia não está de fora. Talvez o impacto por aqui não seja dos piores, mas o primeiro ministro kiwi, John Key, deu uma entrevista à TV esses dias falando que a previsão é de dois anos de recessão. O desemprego está chegando e, como não poderia ser diferente, os primeiros a dançarem acabam sendo os imigrantes. Nada mais natural que um protecionismo básico quando o assunto é crise.

Bom, como não sou nenhuma entendida em economia, não vou me arriscar a fazer nenhuma análise da conjuntura. Prefiro indicar alguns links da imprensa brasileira e neo-zelandesa sobre o tema (ok, só achei uma notícia em português, as outras são em inglês, mas pra quem pensa em vir para cá, e não tem inglês fluente, vale a pena ler com um dicionário ao lado).

Nova Zelândia sairá fortalecida da recessão, diz premiê (Gazeta Mercantil)


Beating the recession (uma página inteira dedicada à crise no NZHerald)

E boa sorte para nós! rs

terça-feira, 17 de março de 2009

Música made in NZ

Acho que já comentei por aqui que na NZ é possível ter acesso a ótimos shows sem pagar nada, em eventos gratuitos ao ar livre. Pois é, a cada dia estou mais certa de que por aqui não é qualquer um que sai tocando por aí nos eventos públicos, tem muita gente boa na parada.

Os estilos são variados, já vi rock alternativo, ou mais pop, reggae e outros sons que não sei rotular, mas todos de muita qualidade, tanto no instrumental como no vocal. Digamos que bem diferente do "popzinho emo" que não parava de tocar quando eu ainda estava no Brasil.

Se você é como eu, que não vive sem música e prefere um bom show ao vivo que outro tipo de balada, não pode perder a chance de conhecer algumas das bandas de que estou falando.

Over the Atlantic www.myspace.com/overtheatlanticband
Conheci no 350 NZ Climate Action Festival, em dezembro do ano passado. Eles tocam um tipo de pop-rock bem comum aqui na NZ, mas bem diferente do que costumamos ver pelo Brasil.

Olmecha Supreme www.myspace.com/olmechasupreme
Essa banda é bem popular entre os kiwis, tocaram no mesmo 350 Festival, no Cuba St Carnival, entre outros eventos por aqui. O estilo fica entre o hip hop e reggae, vale conferir.

My Golden Soul www.bebo.com/mygoldensoul
Essa também estava no 350 Festival e, segundo eles mesmos definem, tocam roots music, soul e funk. O que achei mais bacana foi a mistura de instrumentos elétricos, acústicos e de percussão com outros clássicos como violino. Eles também colocam um pouco da cultura Maori nas músicas.

Fur Patrol www.myspace.com/furpatrol
Essa é certamente uma das bandas que mais gostei entre todas as que vi por aqui. Eles tocaram em um dos eventos do Summer Festival aqui em Wellington, em fevereiro. Com um vocal feminino (que arrasa), eles tocam um tipo de rock / indie muito bacana, com baladinhas e outras músicas que levantam a galera.

Odessa www.odessamusic.net ou www.myspace.com/odessamusic
Essa foi a mais recente descoberta, feita no Newtown Festival, no começo desse mês. Um misto de rock, rockabilly, blues e alguns sons mais “modernos” digamos assim, também com um vocal bem bacana (um doidinho que tem uma performance de palco bem interessante, rs). Mas o que mais impressionou neles foi a qualidade dos músicos, guitarrista, baixista e batera, todos muito bons.

Essa é só uma amostra da música neo-zelandesa, que ainda estou conhecendo. Vale a pena conferir mais informações e algumas músicas no link de cada uma.

terça-feira, 3 de março de 2009

Aprendendo com os mais velhos

Dia 28 de fevereiro completamos 4 meses de Nova Zelândia e, como sempre, parei pra pensar um pouco na nossa vida aqui e fazer um balanço de tudo o que já passamos. Ainda não estamos estabilizados, nem ganhamos quase nada em dinheiro, nem viajamos tanto por aqui, mas certamente a bagagem que já temos conosco é algo incontestável.

Depois de lavar louça por alguns dias e trabalhar em fazendas por pouco mais de um mês, chegou a hora de encarar o dia-a-dia da faxina. Posso dizer que estou empregada, com direito a contrato assinado e tudo certinho. Comecei como cleaner (ou diarista, rs) temporária e acabaram gostando de mim e do meu trabalho. Sou contratada por uma empresa grande de limpeza comercial chamada Spotless (eles também trabalham com cozinha, manutenção, entre outros serviços) para, a princípio, ficar em um cliente específico, o Te Hopai Home and Hospital. É uma espécie de casa de repouso com hospital para idosos (inclusive com uma parte psiquiátrica) aqui em Wellington, que tem hoje cerca de 90 moradores.

O lugar é bem grande (e ainda estão ampliando), mas o trabalho não é nada de outro mundo. Tenho que, diariamente, passar aspirador em tudo (pois aqui é tudo carpete, exceto banheiros), tirar pó dos móveis e limpar os banheiros (o que também é feito bem diferente aqui, nada de “lavar” com um mundo de água), isso com a ajuda de mais duas funcionárias e uma supervisora, nos revezando entre os dias da semana. Tudo com equipamentos de proteção, produtos e treinamento específico. Segredo nenhum. O que cansa é andar pra lá e pra cá o dia todo, mas com isso aos poucos eu me acostumo (e é bom que mantenho a forma, rs).

O “X” da questão é que nunca me imaginei trabalhando em um “asilo”. Nada contra os velhinhos, pelo contrário, só não acho que eu tenho “o dom” e condições emocionais pra isso. Quando o Shurato começou a procurar trabalhos de caregiver aqui (é como chamam as pessoas que cuidam de idosos, seja para fazer companhia ou ajudar com tarefas domésticas e cuidados diários), vimos que é uma área bem carente de mão-de-obra, pois poucos se sujeitam a fazer o trabalho. Dos CVs enviados, a maioria teve uma resposta das empresas (tanto que hoje ele está empregado por duas, rs), ainda assim, eu não pensava na idéia de me candidatar.

Por fim, procurei empregos do tipo que não precisam de inglês fluente, como cleaner, e acabei indo parar em um lar para idosos. Estou lá há apenas duas semanas, mas posso dizer que a cada dia aprendo mais com esse trabalho. Teoricamente eu não estou lá para cuidar dos idosos, e sim para limpar o ambiente onde eles vivem, mas, mesmo com meu inglês ainda limitado, muitas vezes eles puxam assunto e consigo trocar algumas palavras. Na maioria das vezes, vem alguma frase que bate lá no fundo e me faz enxergar a vida com outros olhos.

No começo eu ficava meio mal em ver a condição de alguns deles, e ainda fico meio balançada com algumas situações. Mas, como o Shurato mesmo diz, estou tentando enxergar esse trabalho com outros olhos e me ver como alguém que está lá para ajudá-los, para tornar a vida deles mais fácil e, por que não, entretê-los e diverti-los às vezes.

No dia 26 de fevereiro, por exemplo, rolou uma “International Parade”, onde os funcionários (na maioria estrangeiros) usaram roupas típicas de seus países, desfilaram e fizeram um showzinho para os residentes, com direito a juri e premiação. Como eu não tinha nada típico do Brasil aqui, acabei usando trajes indianos junto com a equipe da limpeza, foi no mínimo engraçado. Tudo isso com direito a dança do ventre improvisada e um sambinha no pé (já que eles colocaram um CD de músicas brasileiras). Imaginem a cena...