sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Immigration NZ – A novela do Work Permit

Dia 28 de janeiro completamos 3 meses aqui na Nova Zelândia. Depois de quase 2 meses entre idas e vindas com a Imigração, a boa notícia é que saiu nosso primeiro Work Permit. Mas foram tantos enroscos que vale a pena falar um pouco sobre o assunto, seja pra alertar quem está vindo pra cá ou simplesmente pra desabafar depois de tanta aflição.

Tudo começou no Brasil, antes mesmo de virmos para cá. Uma das primeiras coisas que fizemos quando decidimos viajar foi visitar o site da Embaixada neo-zelandesa no Brasil e no site da Imigração daqui, para ver quais as possibilidades de vistos possíveis para nós. Os amigos que vieram pra cá já haviam falado da possibilidade de renovar o visto de turista por até 2 vezes (ou seja, 9 meses de duração), ou conseguir um visto de trabalho sazonal para as fazendas, enfim. Baixamos formulários, lemos muito e viemos.

O primeiro contato com a Imigração foi melhor impossível. Havíamos preparado um dossiê repleto de documentos comprovando endereço e condição financeira no Brasil, reserva de curso de inglês aqui, comprovante de acomodação... enfim, tudo para não sermos mandados de volta ao Brasil logo de cara. E não é que nada disso teve utilidade! O senhor neo-zelandes perguntou apenas o que viemos fazer aqui (resposta: English course) e quanto tempo pretendíamos ficar (8 weeks!), pronto, passaportes carimbados e sejam bem-vindos à New Zealand! Foi lindo. Pena que a decepção viria pouco mais de um mês depois...

À procura de emprego, entramos mais algumas vezes no site da Imigração e ficamos sabendo sobre um possibilidade de work permit para a qual não seria necessária uma oferta de trabalho (o mais difícil até então). É o tal do “Variation of condition” (também conhecido como VOC). Ele transforma seu visto de visitante em visto de estudo ou trabalho por no máximo 6 semanas. Ou seja, você não ganha mais tempo no país, mas durante o tempo em que duraria seu visto de visitante você também poderia trabalhar. Perfeito!! Seria o ideal para conseguirmos entrar em algum emprego para então dar entrada no work permit comum, com a tal oferta de trabalho já em mãos.

Não perdemos tempo e fomos até o escritório da Imigração em Wellington, que achamos que seria um dos melhores e mais ágeis por ser a capital, mas nos enganamos. Logo na primeira visita fomos recepcionado por uma funcionária um tanto quanto áspera e nem um pouco cortez, que nos mandou preencher um formulário e colocar junto com os passaportes e mais $120 (para cada um) num envelope e numa caixa que mais parecia um lixo. Sem ter nenhuma informação a mais e nos sentindo totalmente inseguros, resolvemos conversar com alguns amigos por aqui e voltar outro dia.

Na segunda visita, mais novidades. Outra funcionária, dessa vez nem tão grossa, mas também não muito disposta a ajudar, disse que precisaríamos de uma oferta de trabalho, mesmo para este tipo de visto (o que contraria totalmente o que estava escrito no site). Neste caso, fizemos algumas ligações, conseguimos o nome de uma empresa que nos contrataria caso fossemos para Blenheim (trabalhar em vinícolas), preenchemos o tal formulário e jogamos tudo na tal caixa, com muito aperto no coração. O prazo para o retorno era de uma a três semanas, então o jeito era esperar.

Em cerca e 10 dias recebemos um “sedex” da Imigração logo cedo, quando estávamos indo para o curso. Mais que depressa fomos abrindo o envelope e, para nossa desilusão, o visto não havia sido aceito. Porém, a justificativa foi que o problema era com a tal empresa (que não tinha um tal registro), e não conosco. Desta forma, com um recibo de pagamento, poderíamos aplicar novamente com outro empregador. Foi o que fizemos... com uma carta de oferta de emprego em mãos, voltamos à imigração mais que depressa. Já havia passado um tempo e a imigração fecharia para Holiday em alguns dias (pro Natal e Reveillon). Pelas nossas contas, estávamos aos 45 minutos do segundo tempo para conseguir as tais 6 semanas de trabalho, sem exceder nosso Visitor Permit.

Com esperança de que alguma boa alma poderia resolver nossa situação no ato, sem precisarmos jogar tudo na tal caixa, fomos conversar com um homem aparentemente simpático. Alguns amigos conseguiram resolver a renovação de visto conversando, não custava tentar. Porém, a simpatia não era maior que a ansiedade pelo holiay e o atendende disse que faria o possível, mas tivemos que ir embora sem uma resposta. Desta vez, não ficaram com nossos passaportes, por causa das férias, e mandaram uma mensagem no celular falando que responderiam em 30 dias. 30 dias?! Como assim??? Em 30 dias estaríamos a apenas uma semana para expirar nosso visto de visitante.

Mas ok, tentamos manter a calma e aguardar. Nesse meio tempo surgiu a oportunidade de ganhar um dinheiro nas férias em Hastings, cidadezinha localizada em Hawkes Bay, uma das regiões mais produtivas em termos de horticultura na Nova Zelândia. Então fomos pra ver no que dava, afinal, a Imigração não responderia antes do dia 5 de janeiro, quando voltariam das férias coletivas.

O tempo foi passando, nada da Imigração responder, a paciência diminuindo... Ligamos na central e, pra variar, uma informação mais desconcertada que a outra. Eis que acabaram os 30 dias. Ligamos de novo e nada. Segundo eles, nosso processo ainda estava em andamento. Enquanto isso, em Hastings, todas as pessoas que deram entrada no work permit tiveram uma resposta, positiva, em no máximo 5 dias (detalhe, sem precisar da tal oferta de trabalho). Para tentar correr contra o tempo, fomos atrás de ajuda por aqui.

Em Hastings não há escritório da Imigração, o mais próximo fica em Palmerston North (umas 2h daqui). Mas existem escritórios com consultores que fazem meio campo com quem precisa tirar o visto por aqui. Um deles é o PICKNZ, uma espécie de agência de empregos em horticultura (falarei mais deles em outro texto, vale a pena). Enfim, depois de ouvir toda a nossa novela, a simpática atendente achou tudo muito estranho por vários motivos. Segundo ela, 1- a imigração não deixa processos em andamento sem reter o passaporte dos imigrantes; 2- o tal do VOC não estava mais disponível nesta época (parece que é meio limitado); 3- dificilmente demoram tanto para dar uma resposta e, se fosse o caso de negarem, teriam que responder devolvendo o dinheiro pago.

Estranhos nós já havíamos achado, mas precisávamos de informações certeiras sobre o que fazer. Como uma neo-zelandesa consegue entender muito mellhor o que outra neo-zelandesa diz, essa funcionária do PICKNZ ligou pra Imigração de Wellington e se informou sobre a situação. Resumindo, ela nos aconselhou a aplicar outro visto por aqui, já que estávamos com nossos passaportes em mãos.

Uma das possibilidades seria aplicar o Work Holiday Visa, que tem duração de um ano e é ótimo para estudantes. Vários países da América Latina já tinham essa possibilidade antes, mas para o Brasil começou em dezembro agora, com apenas 300 vagas para todos od brasileiros. Mas além dessa concorrência pelo número de vagas, o Shu não poderia aplicá-lo porque tem mais de 30 anos (meu véio, hehe). Então aplpicamos para o Seasonal Work Permit (chamado de TRSE). Ele dá direito a 4 meses de trabalho em empresas que contratam trabalhadores temporários, a maioria em horticultura, vinicultura, essas coisas. Como já havíamos pago $120 cada, só precisaríamos completar com mais $80 cada, já que esse custa $200 (fora a comissão do escritório, porque nada é de graça nessa vida). Até aí tudo bem, saindo o visto já estaríamos no lucro.

Porém, como as surpresas sempre aparecem quando a gente menos espera (senão não seriam surpresas, rs), no dia seguinte em que fizemos a nova aplicação recebemos um recado da nossa amiga de Wellington dizendo que havia chego uma carta da Imigração pra gente. Quando ela falou deu até um friozinho na barriga, afinal, já nem estávamos contando com uma resposta deles depois que começamos a tocar o processo por aqui. A “boa notícia” é que aceitaram nosso VOC, ou seja, nos deram uma semana de work permit, dá pra acreditar? O que dá pra fazer em uma semana? Enfim, ficamos um pouco mais desapontados com o serviço de imigração, que parece ter feito isso só para engolir nosso dinheiro. Com isso, tivemos que pagar o valor integral do outro visto que tínhamos aplicado.

É triste ver que, mesmo em um país “de primeiro mundo”, onde teoricamente as coisas funcionam melhor que no Brasil, justamente o serviço de imigração chega a lembrar o funcionalismo público brasileiro. Onde nem tudo o que está escrito é regra e tudo depende de quem te atendeu e se esta pessoa está num bom dia ou vai com a sua cara.

Mas tudo bem, passou... pelo menos pelos próximos 4 meses estamos tranquilos quanto a isso. Agora a correria é outra, por um bom emprego que nos dê a chance de renovar o visto por mais tempo, quem sabe um ano ou mais. Mas isso é mais pra frente, por enquanto vamos levando com o que aparece, seja aqui em Hastings (onde as coisas já estão melhorando e já começamos a trabalhar legalmente com tudo certinho no contrato) ou mesmo em Wellington, pra onde queremos voltar assim que possível.

Yes! We have work permit!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Diz que fui por aí...

Ontem à noite, por falta de algo interessante para assistir nos 4 ou 5 canais da TV Neo zelandesa, o Shu teve a idéia de entrar no site do CQC para assistirmos alguns vídeos do programa. Era um dos nossos preferidos (senão o único interessante na TV aberta) quando saímos do Brasil, mas já faz quase 3 meses que não víamos nada do nosso país (nem o final da novela das 8 eu vi, rs).

Então, entre diversos vídeos de Melhores Momentos de 2008, Top Fives com Palmirinha e Maísa (Hahahaha, adoro!!), encontramos o CQTeste com a Fernanda Takai. Teste à parte, o Rafael Cortez comentou sobre o CD solo que ela gravou cantando músicas da Nara Leão e, em especial, uma música que eu gosto muito. E não é que a letra cai bem para o momento!

Diz Que Fui Por Aí
por Fernanda Takai

Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um violão debaixo do braço
Em qualquer esquina eu paro
Em qualquer botequim eu entro
Se houver motivo
É mais um samba que eu faço
Se quiserem saber se volto
Diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Tenho um violão para me acompanhar
Tenho muitos amigos, eu sou popular
Tenho a madrugada como companheira
A saudade me dói, o meu peito me rói
Eu estou na cidade, eu estou na favela
Eu estou por aí
Sempre pensando nela

Muitas saudades...

Beijos
Cris

sábado, 10 de janeiro de 2009

Amarga ilusão

Desde que chegamos à Nova Zelândia, há quase 2 meses e meio, tenho conhecido pessoas das mais variadas partes do Brasil – São Paulo (capital e interior), Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso (do sul e “do norte”), e por aí vai. Entre elas, também encontrei gente com os mais variados objetivos e intensões ao vir para cá. Tem os que vieram para aprender inglês, para se aventurar e viajar, para ter uma experiência internacional, para fugir de alguma situação no Brasil, enfim, tem de tudo. Inclusive gente que adora a NZ e gente que odeia.

De uns tempos pra cá, especialmente depois que começamos a trabalhar na roça, tenho conhecido muita gente que veio pra cá com uma ilusão enganosa de ganhar dinheiro fácil e voltar pro Brasil bem de vida. Gente que largou mulher e filhos, vendeu tudo o que tinha e investiu nessa viagem, crente que em poucos meses recuperaria todo o dinheiro, e mais, voltaria pro Brasil com o bolso cheio. E são esses os que mais se decepcionaram com o que encontraram aqui.

Foi-se o tempo em que sair do Brasil pra fazer dinheiro era fácil. Estados Unidos, Japão, Europa... acredito que todos os lugares já estão infestados demais de imigrantes, o que torna as coisas mais difíceis do que 5 ou 10 anos atrás. E se viver nesses países que exportam mão-de-obra para o serviço pesado já não é fácil, na Nova Zelândia, um país que tem ao todo pouco mais de 4 milhões de habitantes, também não poderia ser.

A Nova Zelândia não é um país para se ficar rico. Já sabíamos disso quando saímos do Brasil, mas muita gente pensa o contrário quando vem pra cá. Não é impossível fazer bastante dinheiro aqui, mas é preciso estar disposto a ralar, e muito. Colocando em números, quando se trabalha por hora aqui, o mínimo que se ganha, já com os descontos e impostos, é $10 por hora. Em horticultura, dá pra fazer tranquilamente 10 ou 12 horas por dia, tem quem faça mais. Com isso, tira-se no mínimo $100 por dia. Quem ganha isso no Brasil? Fora isso, em época de colheita, quando se ganha por produção, é possível fazer $20 ou $25 por hora trabalhada, ou seja, mais que o dobro. Considerando que aqui é uma cidade onde gasta-se pouco para sobreviver, já que a maior parte do tempo as pessoas passam trabalhando, dá pra juntar um bom dinheiro. Só tem um pequeno detalhe, o trabalho não é moleza...

Na última semana começou a colheita da abóbora aqui em Hastings. Dizem que é uma das coisas que mais dá dinheiro por aqui, em compensação, os meninos que foram pela primeira vez falaram que é pior que o inferno. Voltaram quebrados, alguns disseram que não vão nunca mais. Aí eu fico pensando, até que ponto isso compensa? De que adianta ganhar $250 por dia se no dia seguinte você vai estar quebrado, vivendo à base de remédio para dor? Na boa, não quero isso pra mim. Ainda por cima, se o trabalho não for bem feito ou se o “boss” achar que não valeu o combinado, corre-se o risco de demorar semanas para receber, ou nem receber.

É por isso que muita gente se desilude rapidinho, mas acaba ficando por aqui pra tentar pelo menos cobrir os custos da viagem, que não é das mais baratas. O que eu não acho certo é que essas pessoas desiludidas saem falando que a Nova Zelândia é um inferno, que odeia este lugar... Sinceramente, o problema não é com o país, mas sim com essas pessoas e com a ilusão deturpada que as trouxe para cá. Acho errado colocarem num país, que oferece tanta oportunidade, a culpa de terem se precipitado e quebrado a cara.

A Nova Zelândia é um lugar para se viver bem. Para quem quer trabalhar “humanamente”, é possível ganhar dinheiro o suficiente para viver bem e aproveitar a qualidade de vida que o país oferece. Quer ficar rico? Não venha pra cá. Procure um lugar ainda pouco explorado por imigrantes. Agora, se quer viver bem? Então pode vir sem medo de ser feliz. Nossa idéia, desde o começo, não foi ganhar rios de dinheiro. Queríamos aprender inglês, ter uma experiência internacional, conhecer uma nova cultura e ter qualidade de vida. Aos poucos vamos conquistando cada um dos objetivos, e tenho certeza que a “Aotearoa” ainda tem muito a nos oferecer.

Kia ora!!*

*Cumprimento Maori que pode ser tanto Olá quanto um agradecimento.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Top 10 - Resoluções de Ano Novo


  1. Ganhar fluência no inglês (e entender o Kiwi English)

  2. Conseguir um bom emprego (porque lavar louça e trabalhar na roça é coisa de doido)

  3. Conseguir um Work Permit de pelo menos um ano de duração

  4. Comprar um carro pra gente (quem sabe nosso trailer também!)

  5. Alugar uma casinha ou flat só para nós dois (sem ter que dividir cozinha ou banheiro com ninguém)

  6. Quitar todas as dívidas que ainda nos restam no Brasil

  7. Conseguir juntar algum dinheiro para poder viajar e passear bastante por aqui

  8. Conhecer pelo menos 5 novas regiões da Nova Zelândia (ainda em 2009)

  9. Perder mais alguns quilos e voltar para os meus 50kg (isso só vale pra mim, Cris, claro, rs)

  10. Passar a próxima virada de ano com muita festa em algum lugar paradisíaco da NZ

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Vida de bóia-fria

“A gente se acostuma com tudo
A tudo a gente se habitua
E até não ter um lugar
Dormir na rua
A tudo a gente se habitua"
(Vida diet, Pato Fu)

É, estamos em Hastings há 5 dias, dos quais trabalhamos 3. Pois é, depois de passar quase 2 meses na “cidade grande”, chegou a hora de encarar a roça. O trabalho em si não está sendo tão difícil, agora é época de carpinar os matos que nascem entre os pés de abóbora para que eles possam crescer fortes e dar seus frutos. O que torna tudo mais pesado é o solão que temos que encara na cabeça o dia todo. Se formos olhar pra meteorologia, não deve passar de 26 graus, mas com o sol daqui, parece 40. Só com muito sundown 50 pra encarar...

Nosso boss passa pra nos pegar às 6h30 e o batente começa às 7h. A maioria das pessoas tem trabalhado até 19h30, ou seja, 12h de trabalho + 30 min de almoço (descontados) com alguns breakes de 15 minutos a cada 2 horas ou 2 horas e meia. Como estávamos na nossa vida sedentária, onde só andávamos a passeio, não a trabalho, os primeiros dias não foram tão fáceis. O bom é que temos a liberdade de trabalhar menos tempo. Nos dois primeiros dias fizemos 8h, no terceiro o Shura aguentou um pouco mais, eu tive que ir descansar um pouco no carro – o sol estava demais, deu até dor de cabeça. Como ganhamos por hora, não faz tanta diferença pros chefes.

Mas dá pra levar bem. Não é tanto questão de força, mas de jeito. A enxada não é daquelas grandes que usamos no Brasil, pesadas, é uma menorzinha, bem afiada, que facilita o trabalho. Porém, a grande maioria da mão-de-obra é formada por homens. Na nossa turma, somos em 4 ou 5 mulheres apenas, para 25 homens. 90% é brasileiro, os outros são da América Latina (Chile, Argentina, Uruguai). Há outras turmas com indianos e pessoas de outros lugares, mas os brasileiros dominam o trabalho nas roças neo-zelandesas (seja aqui em Hawkes Bay ou na Ilha Sul).

Enfim, tudo é questão de adaptação. Ontem e hoje não fomos trabalhar porque a chuva não deixou, então deu pra descansar bem. No começo o corpo ficou bem dolorido. Pernas, costas, braços, mãos... não é pra qualquer um. Mas agora estamos mais equipados, providenciamos chapéus e luvas pra aguentar melhor o tranco. Então que pare a chuva e venha a roça!

Se formos continuar por aqui, em meados de janeiro o trabalho deve mudar um pouco. Começa a época da colheita, que exige um pouco mais, porque normalmente paga-se por produção e não mais por hora. Mas, para minha alegria e de outras pessoas mais “frágeis”, rs, começa também o trabalho das Packing Houses, ou seja, empacotar as frutas pra despachar. Esse dizem que é bem mais tranquilo, primeiro porque é um galpão fechado, então não temos o agravante do sol. Alguns dizem que chegam a pagar até mais, ou que é possível fazer mais horas por dia. Vamos ver...

O fato é que de agora até abril este é o lugar pra faturar com a horticultura. Agora é época de abóbora, maçã, entre outras coisas como tomate e cebola. E tudo isso tem por aqui. Depois de abril, dizem que o negócio começa a esquentar nas plantações de uva. Aqui tem algumas, mas a maioria é na Ilha Sul. Mas da mesma forma que o negócio esquenta, o tempo esfria... não deve ser moleza encarar a roça no inverno daqui também.

Mas tudo bem, a gente se acostuma com o calor, com o frio, com tudo. Estamos tendo que nos acostumar com o fato de morar longe do centro da cidade, bem diferente de onde morávamos em Wellington, ao lado do centro. Ontem caminhamos mais de 10km (ida e volta) pra ir até o centro de Hastings. Isso porque a gente mora na “periferia”, em um bairro chamado Flaxmere. Até tem um comércio aqui, mas pouca coisa. O “melhor” é que só quando estávamos chegando de volta é que descobrimos que tem um ônibus que faz este percurso, rs. Mas tudo bem, coisas da vida.
Uma coisa é certa, a cidade é linda, pequena, porém super aconchegante e com tudo o que precisamos. E mesmo trabalhando na roça, quando a gente cansa, olha pros lados e respira fundo, logo ganha novo ânimo, porque o visual é maravilhoso.

Pelo menos vamos ficar “fit”, hehe. Tudo o que comemos está sendo muito bem gasto. Aliás, voltamos a comer que nem gente, estou encarando o fogão todo dia, pelo menos na janta. Minha mãe ia ficar orgulhosa, rs. E para aguentar o tranco na roça, sanduiches naturais, muitas frutas, barras de cereal e muita, mas muita água.

E assim vamos levando, até que a Imigração resolva entrar em contato com a gente para responder sobre nosso pedido de visto. Seja como for, temos que resolver esta situação logo, pois dia 28 de janeiro expira nosso visitor’s permit. Por isso, continuem torcendo por nós!

Beijos e abraços,
Cris e Shurato

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Work time

Estamos perto de completar nosso segundo mês na Nova Zelândia e já estava mais que na hora de acabar nossas “férias” e começar a vida dura. Então, depois de alguns contatos com amigos e amigos de amigos, partimos para a busca efetiva de trabalho.

O maior empecilho para começar a trabalhar era o fato de não termos o work permit. A imigração nos negou na primeira tentativa (segundo eles, por problemas com o empregador, não com a gente), então tentamos novamente. Mas como o mundo para na época do Natal e Reveillon, estamos esperando eles voltarem ao trabalho para sabermos se a resposta desta vez é Yes ou No.

Mesmo assim, apenas com o visto de turista, resolvemos dar a cara a tapa e fomos de porta em porta procurar emprego. Passamos por quase todos os restaurantes, cafés e hotéis na região central de Wellington. Com o apoio do Léo, um amigo brasileiro que já mora aqui há algum tempo conhece algumas pessoas em restaurantes e hotéis por aqui, conversamos com pessoas, deixamos telefone, preenchemos fichas... e no fim das contas, funcionou!

Eu arrumei um trabalho “casual” de dishwasher em um restaurante, o Floriditas. Então, no dia seguinte, lá fui eu encarar a pia mais cheia de louça que já vi na vida. Como se não bastasse estar cheia quando cheguei, o movimento lá é imenso, então é praticamente impossível deixá-la vazia. No primeiro dia eu achei que fosse morrer de tanta dor nas costas e nas mãos, mas sobrevivi. No segundo dia consegui ser mais rápida e agradar um pouco mais o chefe – aliás, aqui não é preciso lavar bem lavado, o negócio é “dar uma meia sola” e jogar na máquina pra finalizar, o importante é ser rápido. Perfect, mal consegui mexer meus braços por dois dias, porque atacou minha tendinite, mas ok, recebi em cash os meus $12 por hora.

Eu trabalhei na quinta e na sexta. No dia seguinte foi a vez do Shurato. Ele conseguiu um trampo de kitchen hand no Parade Café, ou seja, além de lavar louça, ele ainda teria que ajudar a cortar coisas para os chefs cozinharem. Logo de cara ele já pegou uma bucha das grandes, trabalhou o fim de semana todo, sendo que só sábado foram mais de 10 horas sem parar nem para comer. Se eu quase morri, pra ele faltou pouco. Foi pesado, mas ok, ele aguentou firme, foi novamente no domingo e recebeu o suficiente para pagarmos uma semana de aluguel.

Falando assim parece que somos dois sacos de batatas, que não aguentam um trabalhinho à toa, mas só vendo o tamanho da encrenca pra sentir na pele. Foi bem mais pesado do que pensávamos. Até surgiram outras oportunidades semelhantes, mas depois da nossa experiência, nossa vontade de ir trabalhar em fazendas de vinho na Ilha Sul ficou ainda mais forte. Tudo bem, o trabalho também não é leve, mas pelo menos lá existe a possibilidade de aplicarem nosso work permit e conseguimos ganhar mais dinheiro (porque o trabalho é fixo, não casual como em restaurantes). Acontece que, como tudo nessa vida, as vinícolas também pararam nas festas, então tivemos que mudar um pouco nossos planos.

Por sorte (ou não), conseguimos contato com um brasileiro que está trabalhando em uma fazenda de pumpkings (abóboras) aqui na Ilha Norte. Por meio dele, conseguimos um trabalho temporário por lá, até que o mundo volte a funcionar e a gente consiga resolver nossa situação definitivamente. Partiremos para Hastings (este é o nome da cidade) no dia 25 de manhã e ficaremos por lá pelo menos até o dia 4 de janeiro. Não sei como é a internet por lá e se vou conseguir postar algo neste período, mas assim que possível daremos sinal de vida.

Já ia me esquecendo, mas é Natal (aqui 15h antes, rs)...

Então, desejamos um Feliz Natal para todos os nossos familiares, amigos e outras pessoas que encontraram nosso blog e têm nos visitado. Muito obrigada pela força que têm nos dado e que 2009 seja um ano maravilhoso para todos nós!

Merry Christmas and Happy New Year :-)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Rapidinhas sobre o cotidiano kiwi

1) A TV neo zelandeza tem apenas 7 canais, e o nome deles é bem difícil de decorar: o 1 chama One, o 2 chama 2, o 3 chama Three, o 4 – ah, esse é diferente! - chama C4 (rs). Os outros três eu não sei porque na TV do nosso quarto só pega até o 4, de vez em quando, malemá, pega um dos outros 3, mas desistimos de tentar assisti-los. Se não me engano, o 1 e o 2 são do mesmo “dono”, TV NZ (não sei se são privadas ou do governo), e o 3 e o 4 são meio concorrentes.

2) Os kiwis adoram barbecue (o famoso churrasco, ou BBQ), mas aqui as churrasqueiras são a gás, parecem um fogão com acendedores automáticos. Os poucos que fazem churrasco com carvão (principalmente os brasileiros) sofrem, porque dizem que o carvão aqui é caro e não é dos melhores pra pegar fogo.

3) É muito comum ver casais relativamente novos, de aparentemente cerca de 30 anos de idade, com 2 ou 3 filhos pequenos. Não sei se esse “fenômeno” é recente ou se o governo dá algum tipo de incentivo a eles (já que o país foi invadido por imigrantes e vai perdendo sua pouca identidade dia a dia), o fato é que aqui é bem comum ver casais empurrando carrinhos de bebê para dois (com duas crianças entre 3 e 4 anos) e outro bebezinho sendo levado naquelas “mochilas” de carregar bebês.

4) Muitos fumantes preferem “bolar” seu próprio cigarro do que comprar os industrializados. Eles compram a seda e o “recheio” e enrolam na hora que vão fumar – dizem as más línguas que é possível encontrar um certo tipo de maconha (não sei se concentrada ou diluida com outros matinhos) nas lojas de conveniência que vendem cigarros, vendida legalmente.

5) Antes de vir pra cá, li que os neo zelandezes não são ligados à moda. Não é exatamente assim, a verdade é que todos eles se acham os reis do fashion, porém o bom gosto nas combinações é um tanto quanto questionável. Já estou parando de me espantar com as bizarrices que vejo pela rua, como mulheres com meia calça arrastão e blusas cheias de brilho na praia debaixo de um solão, ou uma reencarnação da Cindy Lauper cheia de pedaços de panos misturados com couro e rendas. Os loucos são loucos, tranquilo, no Brasil também tem vários, mas as pessoas “comuns” cometem alguns modelitos que... aff (meu cunhado Márcio ia chorar se visse, rs).

6) Sal é coisa rara na culinária kiwi (seja a nativa ou a imigrante). Dizem que eles evitam a iguaria por preocupação com a saúde, em compensação, usam e abusam da pimenta. Quando a gente pede um steak com fritas e salada, a carne vem sem tempero nenhum, no máximo uma pastinha de manteiga com alho pra colocar em cima, já a salada, quase sempre vem com um molhinho caprichado na pimenta. Não sei se essa substituição é tão saudável assim...

7) Não se assuste se vir um kiwi andando descalço pela rua. Tudo bem, é uma cidade “de praia”, não tem nada demais em andar no calçadão ou nas proximidades da praia sem sapato, mas não é o caso. Pode estar o maior frio, tem gente que anda descalço no asfalto. Ou melhor, que tal ir ao supermercado de camisa, calça jeans e meia – sem sapato! Pois é, eles fazem isso com muita freqüência. Alguns só usam meias pretas, pra não ter o problema de ficarem encardidas de pisar no chão por aí.

8) Lojas do tipo brechó fazem o maior sucesso por aqui. Já tínhamos ouvido falar da loja do Salvation Army, uma instituição que recebe doações que, quando em bom estado, são vendidas na loja (de roupas a móveis) com fins filantrópicos, mas também existem as puramente comerciais. Já vi diversas lojas de roupas vendendo calças jeans, vestidos, casacos, acessórios, sapatos e muito mais, a preços que variam de $4,50 (isso mesmo, minha amiga comprou uma calça jeans praticamente nova por esse preço) a mais de $100 (sim, também tem coisas novas).

9) Wellington é uma das cidades onde mais se toma café no mundo. Existem inúmeros (nem sei estimar quantos) estabelecimentos especializados em café espalhados por todos os cantos da cidade. Só na Cuba St e Courtenay Place deve ter mais de cem. Como a concorrência é grande, eles não vacilam na qualidade e na variedade. É café preto, capuccino, mochaccino, com vanilla, com leite canela... quentes ou gelados... e de diversas origens (italiano, cubano...). Não sou de tomar café preto, mas os diferentes eu adoro! O Shura disse que o preto não é muito diferente do brasileiro.

10) Nunca vi sequer um cachorro de rua aqui. Já vi muitos “vira-latas”, daqueles de raça indefinida, mas todos eles estavam com uma colerinha passeando com seu dono. Aliás, os cães daqui são muito bem educados. É difícil ver algum latindo no meio da rua, ou querendo avançar em alguém. Muitos andam sem coleira e ficam bonitinhos perto do seu dono, sem nem olhar pro lado direito. Em compensação, os gatos fazem a festa na rua. Só aqui no hotel tem uns 4 ou 5 que ficam visitando nossa janela, doidinhos pra entrar. Pois é, os vira-latas aqui são os gatos, que não podem sentir um cheirinho de comida que já vêm pedir arrego.